30 de janeiro de 2014

Morrendo em Berlim



Cheguei de Dublin as 22h do dia 29, podre é pouco para descrever o meu estado físico/mental. Me joguei na banheira e perdi algumas horas, como sempre.
Não demorei a dormir e no dia seguinte arrumei as coisas e descansei para a próxima jornada.

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Nem precisei acordar cedo pois o trem passaria por Apeldoorn, então pelo menos uma vez na vida seria uma vantagem morar lá hahaha. Chegando lá tinham dois trens para Berlim exatamente no mesmo horário, claro que fui atrás do errado né, ligando pra Rafaela (que já tinha pego o trem em Amsterdam e perguntando a cor do trem. Um era o trem rico, que ia direto, com restaurante e tal, e o nosso era o trem pobre. Fomos até uma cidade perto da fronteira com um trem normal (não o maneiro de viagem), pegamos um ônibus até a Alemanha e de lá mais um trem pra Berlim. Ao entrarmos no trem a sensação de estar voltando no tempo era constante pois o trem era dos anos 60, por aí. As cortininhas listradas, cabines amarelo-hospital e os banheiros azul calcinha (e claro, sem restaurante, justamente porque a Rafaela tinha uns vales pra gastar)!
 
 Pelo menos tínhamos pego uma cabine pra nós (Hogwarts feelings) e ficamos de boa. Não por muito tempo. O trem começou a encher sem parar, com pessoas em pé no corredor e lotaram nossa cabine </3 pessoas falando alemão, crianças, todo mundo comendo e a gente morrendo de fome pois pegamos o único trem sem vagão restaurante... Inconformadas com tal azar conversamos com uma funcionária do trem que nos disse que talvez o próximo trem teria restaurante, mas era algo incerto e demoraria cerca de 1h. Estavamos odiando tanto aquele trem que resolvemos descer na próxima parada e arriscar a espera. Ficamos 40min esperando e no painel já dizia que teria restaurante no trem. E quando chegou, meu deus, que trem moderno! Era lindo demais, o restaurante chique com carpete vermelho e tudo. Sentei com as coisas e a Rafaela foi finalmente gastar os vales!! 
 Enquanto ela estava pegando a comida o fiscal veio conferir o bilhete e me disse que esse trem era mais caro, o nosso bilhete era pro trem pobre! Disse que não sabia, que a mulher do outro trem disse que eu poderia pegar o próximo sem problema e tal, dei aquela enrolada e ele falou que tudo bem hehehe. Lá vem a Rafa com duas sacolas de comida :D

Andamos da estação até o Portão de Brandemburgo onde ia rolar o reveillon. Tinha uma multidão, muitas barraquinhas de comida, bebida e um frio do caramba. Demos umas voltas, vimos umas bandas tocar e uma orquestra na hora da virada. A sensação não foi de ano novo pois não estava com o pé na areia sentindo calor e vendo os fogos na praia. Estava 0° com sensação de -6°, uma maravilha. 
 Fomos em uma festinha depois pra celabrar, porque ficar na rua é impossível. E no dia seguinte fizemos um free tour pelo centro, vimos os principais edifícios, comitês dos partidos da guerra, tudo na cidade te faz lembrar que a guerra aconteceu recentemente e foi devastadora em todos os sentidos. Muitas fotos de como os edifícios ficaram após serem bombardeados, e a cidade não é bonita como os outros cartões postais que visitei, é tudo meio mórbido, muita arquitetura simples e funcional e sempre uma sensação estranha no ar.
 No dia seguinte visitamos o campo de concentração de Sachsenhausen, a 1h de trem do centro. Não tenho muito a dizer, na realidade foi até meio decepcionante pois quase nada restou, quase tudo o que tem são reconstruções e demarcações no chão de onde eram os edifícios. Tu sentes assim um clima pesado no ar, como se algo estivesse errado mas é de boa, não me emocionei e pensei que seria mais impactante, mesmo indo com o guia que contava todas as histórias e foi muito interessante ver as imagens saídas dos livros de história.






 





 






O blog não quer cooperar comigo, então as fotos estão jogadas aí u_u. Devo frisar o fato de que estávamos cansadas em um nível que qualquer superfície plana daria uma boa cama. A Rafaela ficou com bolhas nos pés e eu agravei minha gripe tossindo feito uma tuberculosa fumante com cancer de pulmão. Realmente estávamos nos sentindo sobreviventes de guerra, aquelas cenas que a dupla sai abraçada capengando e tudo em brasa fumegante no fundo, tipo isso.
Pra variar andamos horrores querendo ver tudo e nos cansando mais e mais hahaha. Pegamos muito metrô, o que foi um capítulo a parte, o que pude observar foram as pichações nos trilhos, tudo muito trash, feio, sujo, subterrâneo. A galera muito doida, sempre tinha umas figuras no metrô, encontramos músicos com instrumentos estranhos, uma velhinha discutindo sozinha, um ser com o lábio tatuado em quadriculado preto e branco com uma roupa toda de vaca, pessoas com caixa de som dançando, uma loucura. A cidade é tão pichada que até algumas lojas tem isso como tema, inclusive o Mc Donalds, onde tomamos chocolate quente com cuca alemã, croissant e donut hehehe :3
 Dos poucos alemães que conheci posso dizer que são um pouquiiiinho menos fechados que os holandeses, e o principal, GOSTAM DE COMER. Encontramos comida muito boa e barata facilmente, tarefa quase impossível na Holanda. Os holandeses são bem mais loiros e arianos que os alemães. Quero deixar aqui o link do blog da Isabella, também au pair em Amsterdam que escreveu um texto incrível sobre Berlim, conseguiu colocar em palavras todo o sentimento estranho que temos ao visitar a cidade http://isamsterdamn.blogspot.com.br
 Só para ajudar pegamos ótimas companias no quarto do hostel, conhecemos um cara num dia e no outro quando entramos ele estava nu e prestes a ter relações sexuais com uma garota hahaha, saímos do quarto e demos 5min pra ele terminar ou se vestir e a menina saiu correndo morrendo de vergonha! Além do mais ele entrava e saía do quarto de madrugada conversando, acendia a luz e não estava nem aí pra ninguém. Isso significa que não dormi nenhuma noite inteira, foram os piores sonos... E claro, pra completar o pacote, todas as noites um querido senhor ogro, com um ronco de estremecer as paredes, abalar as estruturas, acordar até o sono mais pesado. 













 Na volta pegamos um trem maneiro, fomos de rainhas numa cabine só pra nós, ouvindo Darkside of the moon, descansando finalmente e admirando as belas paisagens rurais alemãs saídas dos filmes de guerra.

 

Um comentário:

  1. salve...correndo atrás dos sonhos? É isso aí...aproveite cada detalhe desse período para crescer e amadurecer cm pessoa. Abs
    Zaia

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